O que eu decidi fazer pra melhorar o mundo ao meu redor

Um dos grandes objetivos que tive ao decidir trabalhar em casa foi ter mais qualidade de vida. Eu já andava cansado de perder 3 ou 4h do meu dia parado no trânsito e passar um dia inteiro dentro de um escritório. A vontade de ser pai era grande e eu também não queria ser um pai comum, daqueles que praticamente só veem os filhos nos fins de semana e estão cansados demais pra fazer qualquer coisa. Eu queria ter uma vida melhor pra mim, o que me permitiria dar uma vida melhor pros meus eventuais filhos.

Isso faz três anos. Obviamente o mundo do home office não é perfeito, pelo contrário. Há uma série de problemas a se administrar por quem trabalha em casa, principalmente com quem tem filhos. O home office também não fez muito bem a minha saúde, pois acabei desenvolvendo síndrome do pânico e um pouco de depressão. Não quero dizer que qualquer um vai passar por isso. Estou relatando o que eu passei e tenho passado.

Essa qualidade de vida que busquei tem grande relação com o mundo ao ar livre, com o sol, com não ficar em casa o tempo todo. A armadilha do home office é que ele vai lhe deixando preguiçoso e você vai saindo cada vez menos de casa. Tarefas simples passam a ser um suplício e uma simples ida à padaria requer um monte de coragem pra sair do comodismo do sofá. Então essa semana eu resolvi que ia mudar alguns hábitos e principalmente, alguns conceitos.

osmano

A escola do meu filho fica a mais ou menos 1,5km de nossa casa. O trajeto de carro é complicado, pois pelo menos uma dúzia de escolas tradicionais e grandes na região. Esse pequeno percurso as vezes chega a custar 1h do meu tempo pra ir e voltar. Cansado desse desperdício, resolvi que vou levar meu filho a pé para a escola sempre que for possível. Haverá momentos em que eu não poderei fazer isso, como por exemplo dias de chuva forte. Mas a ideia é ir o máximo possível de vezes a pé pra escola. Ao invés de ir dirigindo estressado com meu filho no banco de trás assistindo desenho, vamos passeando, conversando, olhando o mundo, as árvores, enfim, nos divertindo. Além de ser um exercício pra mim, é muito mais prazeroso.

Outro lado dessa iniciativa é que será um carro a menos na rua. É praticamente nada para minimizar o trânsito, mas talvez esse seja um dos grandes problemas no Brasil. Ninguém faz nada justamente por achar que não fará diferença. Faz diferença. O cenário político não é dos melhores, assim como os prognósticos para o futuro, independente de quem seja o próximo presidente. Dessa forma, só o voto é muito pouco pra melhorar o mundo ao nosso redor. O que a gente pode e deve fazer pra que essa melhora aconteça está bem perto da gente, nessas pequenas coisas.

Tempos atrás eu seria fortemente contra a implantação de ciclovias como está acontecendo em São Paulo. É certo que o prefeito da cidade está metendo os pés pelas mãos nessa empreitada. A adição de ciclovias não pode ser feita indiscriminadamente e do dia pra noite, como aparentemente tem acontecido. O ideal seria que elas fossem colocadas gradativamente, não apenas pintadas de uma hora pra outra, sem fiscalização e sinalização adequadas.

Porém, hoje sou a favor de uma presença maior de ciclovias por questões de qualidade de vida. Seria legal poder deixar meu filho de bicicleta na escola. O grande segredo pra lidar com esses assuntos é o equilíbrio. Também sou totalmente contra essa cruzada anti-carros que está sendo feita. Nem todo mundo pode se valer de ciclovias para ir trabalhar. Elas devem servir como um apoio aos outros meios de transporte coletivo. O grande investimento mesmo deve ser feito em trens e em ônibus, que carregam muitos passageiros. Muita gente que tem carro em grandes centros abandonaria o veículo durante a semana para economizar tempo e dinheiro usando transporte publico. Mas quem tem carro não tem porquê abandona-lo pra pegar um ônibus absolutamente lotado.

Finalizando: o aprendizado que tive é que o mundo não vai mudar se a gente não se movimentar para isso. Precisamos muito mais de solidariedade, senso de coletividade, respeito ao próximo e noção de que nossas atitudes afetam a todos do que precisamos de bons governantes. O dia a dia é estressante não só pelos problemas estruturais, mas pela forma como agimos. Você não precisa ser um gênio, ter dinheiro ou coisa parecida pra tornar seu prédio, sua rua ou seu bairro mais agradáveis. Uma mudança de atitude é mais do que suficiente.

Se a gente se preocupar em resolver essas pequenas coisas antes de consertar o país todo, teremos dado um ótimo passo. A grande diferença que podemos fazer está no pequeno universo ao nosso redor. Olhe pro mundo a sua volta com mais carinho por você mesmo, pela sua família, pela sua comunidade. Tenho certeza que você vai viver mais feliz e em um lugar mais agradável.

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  1. Erick Silva 16/09/2014

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