E se meu filho vir dois gays se beijando?

O assunto entrou em pauta hoje no Twitter. Mais uma vez o Pastor Marco Feliciano tem causado polêmica. O fundamentalismo cristão afeta diretamente os homossexuais, pois a bancada evangélica no congresso atua ativamente para tornar a vida dessas pessoas mais difícil.

Querem impedir gays de ter seu casamento reconhecido legalmente, querem que empresas que patrocinam novelas com temática gay sejam boicotadas, querem que gays sejam proibidos de adotar crianças… Aqui vale a frase: uma criança abandonada foi produzida por um casal hétero. Gays são cidadãos antes de tudo. São brasileiros, são pagadores de impostos. Não deveríamos lutar por igualdade, deveríamos lutar para que a igualdade seja respeitada. Chegaremos lá.

E aí, como pai, sempre surgem perguntas indiscretas e inconvenientes sobre sexualidade, dos outros e dos filhos. O que eu penso sobre gays se beijando em público? É um beijo, oras. Não é “beijo gay”. Beijo é beijo. Rotular só porque são duas pessoas do mesmo sexo se beijando faz com que o ato pareça estranho, e não é.

– O que você diria pro meu filho caso ele visse um casal de gays se beijando?

– Tá vendo ali, filho? Não é da sua conta.

Como posso querer que meu filho seja uma boa pessoa se não ensinar a ele que todos são iguais, independente se sexo, cor, raça, gênero ou orientação sexual? Se meu filho não respeitar as escolhas dos outros, como pode exigir que seja respeitado?

Como pai, é isso o que penso. As escolhas alheias são problema deles. Quando o Estado quer meter o bedelho nessas escolhas, aí o problema é nosso. Gays devem ter o direito de adotar crianças. Se a criança for mal tratada, aí cabe aos órgãos competentes fiscalizar e punir, mas não porque foram gays que adotaram. É pela proteção à criança, não punição a gays. Políticos não podem legislar em causa própria, pra atender aos próprios interesses em detrimento de uma parcela da população.

Gays devem ter direito a união civil reconhecida, pensão, herança, tudo o que qualquer outro casal tem, seja ele hétero, vaca com cachorro, pato com camelo, não importa. A bancada cristã, evangélica ou o que mais sejam certamente não recusa os votos, tampouco os impostos dos gays aos quais eles querem segregar e negar direitos.

Também não podemos cometer o mesmo erro achando que todos os cristãos / evangélicos / religiosos são farinha do mesmo saco, um bando de preconceituosos e intolerantes. Um imbecil será imbecil com ou sem religião. A igreja/templo foi só o catalisador. Há uma infinidade de bons cristãos, crentes, evangélicos, seja lá como você queira chamar. Assim como há héteros e gays de caráter duvidoso. A escrotidão é uma condição humana.

Se qualquer dos meus filhos disser um dia que é gay, não vou sentir orgulho desse fato. Vou ter orgulho dele, por saber o que quer, por tomar uma decisão e seguir em frente com ela. E obviamente apoiarei a decisão como puder, amarei da mesma forma e estarei sempre disponível quando precisar.

O papel do pai é esse. Pelo menos o meu papel, acho que é esse.

 

Comentários

comentários

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *