Aborto: o que o pai tem a ver com isso?

O aborto é um assunto extremamente controverso no Brasil. Grande parte dessa controvérsia se deve ao fato de sermos um país católico em sua maioria, o que pra mim traz o primeiro problema com relação ao tema: religião se envolvendo em assuntos de saúde pública e questões legais. Certamente, sem a influência da igreja e dos políticos da bancada evangélica já teríamos o aborto legalizado no Brasil. Mas não iremos falar de política aqui.

Eu sou a favor do aborto em casos específicos como estupro, gravidez de risco ou má formação fetal. Aborto pelo simples fato de ser uma gravidez indesejada não é uma ideia que me agrada atualmente. Já fui a favor disso, mas depois que me tornei pai coloquei essa ideia em outra perspectiva. Porém, o fato de eu não ser exatamente a favor não tira o direito de quem queira fazer isso, portanto, é preciso respeitar a decisão de quem queira abortar.

Não irei entrar no debate sobre até quantas semanas seria permitido abortar uma gravidez saudável apenas por vontade própria. Como não sou uma pessoa religiosa, sigo o que diz o meio científico nesse caso e acho que é baseado no que diz a ciência que deveríamos legislar sobre esse assunto. Ainda assim, acredito que o quão antes a gravidez indesejada for descoberta e interrompida melhor. Física e psicologicamente será menos traumatizante para a mãe.

E qual a participação do pai nessa decisão? Vários pontos devem ser pensados e não há uma fórmula para decidir isso. É uma decisão única e dolorosa demais pra que a gente crie uma receita de bolo sobre como devemos proceder numa situação dessas. A minha sugestão apenas é muita conversa e reflexão sobre a decisão, para não surgirem arrependimentos depois, seja abortando ou mantendo a gravidez. A maior vítima de todas, nesse caso, sempre será a criança.

Algo que o possível futuro pai jamais deve fazer é tentar impor a base da força física ou psicológica, sua vontade. Forçar a mulher a fazer um aborto ou a manter a gravidez é uma atitude condenável em todos os sentidos. Ainda que haja a participação dos dois na concepção, é o corpo da mãe que irá passar por todo o processo.

E caso a mãe decida manter uma gravidez que não é desejada pelo pai independente de qual for o motivo, ao invés de julgar e condenar, quem for próximo deve dar apoio e carinho para facilitar a tarefa, nunca para dificultar o que já será complicado. O mundo está povoado de mães que, sozinhas, conseguiram criar e educar muito bem seus filhos, mesmo sem uma presença paterna constante.

Infelizmente não vivemos num mundo ideal onde toda gravidez é desejada e toda criança é amada depois que nasce. Seria ótimo se fosse assim, mas enquanto não é, precisamos ter calma e coerência pra lidar com esse assunto.

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