A Sociedade não está preparada para pais presentes

Já há anos que o papel dos pais na criação e educação dos filhos é discutido. Hoje não se aceita mais (com razão) o modo machista como a Sociedade via (vê) e executava (executa) esses papeis. Cuidar da casa e criar os filhos deixou de ser tarefa exclusiva das mulheres faz tempo. O número de pais conscientes do seu lugar e de sua importância nesse processo vem crescendo. É pequeno, mas vem aumentando. Mas o mundo também precisa estar preparado para essa mudança radical e precisa ajudar de algumas formas.

A Lei que garante atendimento prioritário já tem quase 15 anos. É a Lei 10048/00, que em seu artigo 1o diz o seguinte:

Art. 1o As pessoas portadoras de deficiência, os idosos com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, as gestantes, as lactantes e as pessoas acompanhadas por crianças de colo terão atendimento prioritário, nos termos desta Lei.

Nesse ponto é muito claro que pais com bebês e crianças de colo também tem o direito ao atendimento prioritário. Ontem, fazendo compras numa unidade do Pão de Açúcar dei de cara com a seguinte placa:

caixa

É óbvio que eu não me senti ofendido, tampouco preocupado com a placa. Ninguém iria impedir um pai com sua criança no braço de ter atendimento prioritário. Mas mostra como as pessoas enxergam os papeis de pais e mães na criação dos filhos. Pode ter sido um erro comum, mas não é a primeira vez que vejo isso. A Lei não fala nada em relação a apenas mães terem esse direito, nem diz que são crianças NO colo, são crianças DE colo. E aí surge outro problema, pois não há qualquer definição do que seria ou até quando uma criança seria DE colo. Vale o bom senso e aí já viu.

Outro problema constante: não há fraldário em banheiro masculino. Os pais que precisarem trocar seus filhos em locais abertos ao público precisarão ou passar pelo constrangimento de fazer isso no banheiro feminino, ou terão que fazer de outras formas que gerarão desconforto para o pai, a criança e as outras pessoas. São raríssimos os locais que possuem fraldário no banheiro masculino ou possuem instalações específicas para crianças que permitam que ou o pai ou a mãe entrem pra fazer a limpeza da criança. Isso também precisa mudar.

A Sociedade clama por pais mais presentes e pela desassociação do trabalho de criação dos filhos como tarefa exclusivamente materna. Os pais precisam entender que essa tarefa deve ser dividida, a responsabilidade é dos dois. As mulheres já sofrem uma carga extra considerável com o período de gestação e amamentação e passam por um sofrimento muito grande quando precisam retomar suas atividades, tanto pela separação do filho quanto pela mudança e encaixe da rotina (muitas mães continuam amamentando quando voltam ao trabalho e precisam se virar para conseguir isso). Pais que se responsabilizam e assumem seu papel na criação e educação dos seus filhos estão fazendo nada mais do que o básico de suas obrigações paternas. Não é nada pra se orgulhar.

Outra questão importante é a licença paternidade. Na iniciativa privada, a licença maternidade é de 4 meses, no serviço público é de 6 meses. Para se ter uma ideia, no Canadá ela é de 1 ano e pode ser dividida entre o pai e a mãe na segunda fase da licença. No Brasil os pais não tem nenhum tipo de benefício e passam no máximo 1 semana afastados do trabalho quando a criança nasce. Imagine o que passam casais que tem filhos que ficam na UTI ou em observação logo depois do nascimento por qualquer tipo de complicação na gestação ou no parto. Num momento tão delicado o pai tem cerceado seu direito de ficar ao lado da mãe e do filho.

Talvez as coisas só mudem de verdade quando mais e mais pais assumirem seus papeis. Não adianta responsabilizar as leis ou a sociedade, apenas. É preciso que os pais percebam de uma vez por todas qual é a sua participação no processo de criação e educação dos filhos. Acordem para isso, pais. É dos SEUS filhos que estamos falando.

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